Se sou flor, não sou cravo, nem sou rosa. Sou margarida.
Se tenho pétalas, dou-as, como quem dá a vida e se esquece de si.
Se sem pétalas sou feia, que importa? Maior beleza viva dentro de mim!
Se sou estrela, apago meu brilho e a luz do sol brilha em mim.
Se amo e me escondo e me dou, não sou estrela, nem flor.
Não sou anjo, nem sou demônio. Sou gente, somente.
Um luar traz saudade, um sorriso sussurra a beleza da vida.
Mas, se chove em meu peito, meu olhar não faz segredo.
Sou gente, que não tem medo de se enterrar no solo
E deixar que o tempo faça brotar a semente.
Semente de gente, semente de amor, semente de céu.
(poesia autobiográfica, publicada em meu primeiro livro, Passos, 1987)
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