Num dia como hoje, que caiu na
sexta-feira, nosso casamento começava a acontecer. Só começava, pois nos
casamos em dois dias: 23 e 24 de outubro de 1987. Ainda penso que os judeus, os
hindus e outros povos orientais têm razão em celebrar seus matrimônios por
vários dias: GRANDES CASAMENTOS MERECEM GRANDES CELEBRAÇÕES.
E nem falo de festa, em si. Falo
de significado. O nosso, teve muito significado. Antes da cerimônia civil, comemos
com familiares e alguns padrinhos. E tomamos sorvete juntos, na Av. D. Pedro I.
Ainda conversamos muito até as 22 h. Já no sábado, os amigos da Paróquia
cuidaram com esmero da decoração. O local ficou fantástico. E era o local onde
nos reuníamos, onde trabalhávamos nas pastorais. Não quisemos nos casar em uma
capela apenas bonita, mas que não significasse vida pra nós.
Não me lembro de ter almoçado,
mas D. Vicenza fez um almoço delicioso. Minha mãe, certamente, correu muito com
os preparativos, ainda mais que minha linda irmã seria dama de honra, uma linda
daminha, e meu irmão substituiria um dos padrinhos, que não chegou. Sem contar os
familiares e amigos que já haviam chegado de Lins. E dos outros, que vieram de
São Paulo. Eu estava tranquila. Ainda
passei na Paróquia, pra ver o pessoal, mas não precisei fazer nada. Meu pai comprou
meu vestido de noiva e um carro branco pra me levar à cerimônia. Foi lindo!
Uma hora e meia antes da
cerimônia, já estava no meu quarto, pronta. Não gostei muito da maquiagem,
achei que estava forte, talvez, por falta de costume. Espero que, um dia, Você
possa ver uma foto nossa, vestidos para casar, e, então, poderá me dizer se estava
legal a maquiagem. Mas, de verdade, isso não era o mais importante pra nós.
A cerimônia foi fantástica!
Preparamos nossos próprios votos. Preparamos quer dizer redigimos. Escrevemos
cada palavra e todas elas tinham um significado profundo para nós. Preparamos
toda a cerimônia e, creia-me, Você nunca verá outra igual, porque aquela foi
nossa. Celebramos nosso casamento! O padre, os padrinhos, nossos familiares e
as centenas de convidados foram, realmente, TESTEMUNHAS do que estavam
celebrando Carlos e Jackeline, com consciência da escolha que faziam, até que a
morte os separasse. E somente ela pode nos separar, porque decidimos assim. E é
isso o que realmente importa.
Foi emocionante ouvir Carlos cantando para mim. Tanto como na primeira vez em que o ouvi cantar Sei l’amore e comecei a tremer, mesmo sem saber quem estava cantando. Foi precioso ouvir os votos que ele fez. Tanto como no dia 16 de junho de 1986, quando ele me convidou para trilharmos juntos o mesmo Caminho. E eu aceitei.
Carlos estava lindo, tão jovem,
de branco e azul. Mas, isso nem era o mais importante. O mais importante era
que ali já estava o desenho do grande homem que ele se tornou, mais nobre que
todos os que conheço. Vinte e cinco anos depois, ele ainda é lindo e sua voz é
maravilhosa e seu Amor pelo Reino de Deus é ainda mais forte e consciente.
Isso, sim, é importante!
Não fizemos festa, servimos um
delicioso bolo que a Joana nos deu, com guaraná, no Salão Paroquial. E foi
muito, muito bom. Meus pais receberam amigos e familiares em sua casa, num
churrasco animado. Hoje, vejo os casais fazendo festas maiores do que poderiam,
o que os faz desembocar num início de casamento repleto de dívidas. E em
confusões e conflitos desnecessários. A festa de verdade virá com a vida, no
dia-a-dia, nos anos que se passarem e não puderem vencer o compromisso que os
noivos fizeram, como altar.
Nem agora faremos uma grande
festa. Bodas de Prata são, realmente, algo para compartilhar com muita gente.
São algo pra mostrar a todos. Mas, não precisa ser com festa. Pode ser com um
texto ou uma canção, declarando Amor que não morre com o passar dos anos,
porque é decisão e não sentimento, como ensina Gutemberg Braga, que, aliás,
vive isso com sua Roseana, há mais de vinte e cinco anos. Deve ser com VIDA,
todo dia, em meio à alegria ou à tristeza, na saúde ou na doença, com Amor e
respeito, todos os dias.
Casamento não é um mar de rosas e
nem o nosso tem sido. As crises que dizem que existem, acredite: elas existem. Mas,
Anézio Massuia (com sua Bete, há mais de trinta e cinco anos) tem toda razão ao escrever que um casamento duradouro não
depende de paixão e coisas assim, depende de caráter. É isso mesmo: o
caráter de Cristo em nós é o que não nos deixa desonrar o compromisso que assumimos um com o
outro, diante de Deus, de nossos familiares e amigos, da sociedade civil. Nosso
compromisso é até a morte. Mesmo que tenhamos que morrer um pouco todos os
dias, pois casamento inclui renúncia e entrega incondicional.
Temos claro diante de nós: Deus
odeia o divórcio, portanto, nós odiamos o divórcio. Nossa palavra é firme e
nosso compromisso prevalece sobre quaisquer dificuldades. Por causa do Reino de
Deus e por causa de Amor que alimentamos um pelo outro. Por sinal, faça a
experiência de permanecer casado(a) por vinte e cinco anos com o cônjuge da sua mocidade
e depois me diga se não é verdade: cada ano que passa, traz mais intimidade ao
casal, mais conhecimento entre um e outro, mais liberdade para compartilhar e
para se expor. Cada crise superada traz mais determinação em prosseguir e fazer
algo mais belo e melhor do que tem sido até ali. Cada momento feliz fortalece o
desejo de ser e viver a realidade fantástica do uma só carne, uma unidade
sonhada por Deus, na Origem, para que homem e mulher pudessem desfrutar do
prazer e da alegria que a comunhão traz e pudessem cumprir seu papel de expandir o Reino de Deus sobre a Terra e governá-la...
Que pena que ainda estamos neste
hiato, que nem deveria existir, entre a escolha errada da humanidade e nosso
retorno à Origem, possibilitado por Jesus, pois nosso Pai ama o Seu propósito
eterno. Na presente ordem das coisas, neste sistema antiCristo que ainda
governa a Terra, precisamos saber que enfrentaremos, mesmo, dificuldades. Mas,
quem quiser poder chegar aos vinte e cinco anos de casado e escrever um texto
ainda melhor que o meu, cheio de consciência de que tem valido a pena, saiba
que, mesmo que se tenha que crer contra toda a esperança em alguns momentos da
vida, os valores e princípios do Reino de Deus são suficientes para embasar um
casamento que dure até a morte ou até o estabelecimento do Reino de Deus, o que, de
coração, espero que aconteça primeiro para nós.
Nós. Carlos Abrahão + Jackeline
Sarah = Uma só carne. Uma excelente ideia de Deus, ofertada à nossa geração.
Poderíamos até ser felizes e fazer grandes coisas sozinhos, separados um do
outro, mas estou absolutamente certa de que nossa vida juntos excede, em
resultados, a qualquer outra realidade que viéssemos a viver, se não
houvéssemos decidido trilhar juntos o mesmo Caminho e honrar nosso compromisso
de sermos um, de forma indissolúvel.
Indissolúvel. Palavra fora de
moda, para quem assiste as novelas da TV e da vida ao redor. Infelizmente,
comemoramos nossas Bodas de Prata em meio a um momento em que o Brasil está
aceitando desfigurar a família, reconhecendo uniões que não nasceram no sonho
de Deus e incentivando que se desfaçam aquelas que deveriam permanecer. Elas
deveriam permanecer, como símbolo do Amor de Deus pela humanidade. Como se o
marido fosse o Cristo e a mulher, a Sua Igreja.
E será assim que nosso casamento
permanecerá. E Você poderá nos ver e ouvir os nossos filhos, Carlos Jr, Cassiani,
Luís Eduardo, frutos do amor que temos nos decidido a manter vivo todos os dias
e que, certamente, trazem impressa em seu caráter a consciência de que o
casamento e a família são projetos de Deus e como projetos de Deus precisam ser
desenvolvidos todos os dias, tendo o Amor como base. Poderão ver a vida dos
nossos jovens filhos ministeriais e daqueles que caminham tão perto de nós, que querem
seguir nosso exemplo. Cotoxão, Thaís, Rosana, Naty, Loiana, Gabriel, Formiga,
Sandra, Davi, Sidney, Carla: Vocês e outros que virão e serão influenciados
pela nossa firme decisão por um casamento que dê prazer a Deus, serão a chave
que mudará a realidade em que nossa sociedade vive. Decidam-se a honrar o Reino
de Deus em seus casamentos e vidas e veremos os resultados.
Bem, se Você me leu até aqui,
alegre-se comigo. Agradeça a Deus, por nós, por nos permitir chegar às Bodas de
Prata. E faça lembrado diante de Deus o nosso compromisso de permanecer crescendo
juntos, até Bodas de Pérola, de Ouro, de Neve, de Diamante, de Alabastro, de
Carvalho... Bodas de Vida, até as Bodas do Cordeiro, no Reino que para nós está preparado, desde
antes da fundação do mundo.
(Carlos, meu marido, homem que escolhi
amar, não escrevi muitas palavras para Você, aqui. Vou dizê-las, pessoalmente,
a sós, hoje e amanhã, nossas duas noites de Bodas de Prata. Mas, Você tem me
feito experimentar muita alegria e prazer e o melhor de tudo é saber que com
ninguém mais no mundo eu poderia ser completa e viver a aventura que vivemos, de
apresentar nossas vidas e casamento como ofertas ao Rei. Amo Você. Obrigada por
decidir me amar, na prática.)
23/10/2012
Parabéns a vocês dois por isso. Agradeço a Deus pela vida de vocês e fico feliz com a felicidade de vocês.
ResponderExcluirAbraços,
Walter
Obrigada, Walter!
ResponderExcluirJack e Carlos voces são inspirações no casamento, na vida! Parabéns! Que Deus os abençoe. Adriana
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